Parler processa Amazon e acusa empresa de violações antitruste

Após ser banido pela Amazon, o Parler entrou com um processo contra a AWS (Amazon Web Services) por comportamento monopolista. De acordo com documentos enviados pela rede social, as decisões tomadas contra a plataforma que prega a “liberdade de expressão” teriam o objetivo de beneficiar o rival Twitter e seriam motivadas por ressentimentos políticos.

Parler (Imagem: Bruno Gall De Blasi/Tecnoblog)

Parler (Imagem: Bruno Gall De Blasi/Tecnoblog)

Parler virou um “refúgio” para apoiadores de Trump

O Parler foi suspenso da AWS nesta segunda-feira (11), depois ter sido removido também das lojas de aplicativos do Google e da Apple. De acordo com a Amazon, a plataforma não tem métodos eficazes para cumprir os termos do serviço e representa “um risco muito real para a segurança pública”.

A rede social teve papel crucial para o agravamento dos atos criminosos em Washington na última semana, que levaram ao banimento do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e de seus apoiadores, em mais de 10 plataformas.

Com o processo, o Parler tenta uma ordem que impeça a suspensão do banimento. O principal argumento pode ser lido nas linhas abaixo:

Dado o contexto da ameaça iminente de Parler ao Twitter e o fato de que a proibição do Twitter não afetaria por muito tempo o presidente se ele mudasse para Parler, trazendo potencialmente dezenas de milhões de seguidores com ele, a AWS decidiu encerrar Parler.

Entretanto, como apontou o site TechCrunch, a fala do Parler perde o sentido, já que uma das provas anexadas ao processo mostra que a rede social já estava na mira da Amazon há semanas, por falta de moderação de conteúdo adequada – bem antes dos fatídicos acontecimentos no Capitólio. Veja o trecho a seguir:

Nas últimas semanas, relatamos 98 exemplos ao Parler de postagens que claramente encorajam e incitam a violência. Você remove algum conteúdo violento quando contatado por nós ou outros, mas nem sempre com urgência. É claro que o Parler não tem um processo para cumprir os termos de serviço da AWS.

Com o posicionamento da Amazon, Apple e do Google, muitos apoiadores e fornecedores também removeram seus suportes para o Parler. De acordo com o CEO, John Matze, “a maioria das pessoas com servidores suficientes para hospedar [a rede social] fechou suas portas” para a empresa.

Pesquisadora arquivou 99,9% do conteúdo do Parler

Apesar de estar indisponível na web, dados das publicações – inclusive as ameaças e vídeos que incitam os atos violentos da última semana – foram arquivados por uma pesquisadora antes de serem retirados do ar.

Identificada como @donk_enby, a mulher explicou ao Gizmodo que começou a investigar o Parler após a rede social negar um grande vazamento de dados que teria ocorrido em novembro. A pesquisadora afirma ter coletado 99,9% do conteúdo que estava disponível publicamente, incluindo vídeos, imagens e GPS dos usuários.

Apesar das graves acusações de descumprimento de termos de serviço da AWS, o Parler promete um retorno. “Existe a possibilidade de o Parler ficar indisponível na internet por até uma semana enquanto reconstruímos do zero”, afirmou Matze. A Amazon ainda não se posicionou sobre o processo.

Com informações: TechCrunch, Engadget e Gizmodo