Obra de arte de 1926 terá certificado registrado como ativo digital NFT

Uma obra de arte abstrata de 1926 será leiloada no final deste mês. Porém, mesmo se tratando de uma peça física, isso ocorrerá através da tecnologia NFT, ou tokens não fungíveis. O comprador receberá um certificado digital de posse e autenticidade registrado em rede blockchain. A pintura em questão se chama “Abstract Composition”, do artista ucraniano Wladimir Baranoff-Rossine.

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“Abstract Composition”, de Wladimir Baranoff-Rossine (Imagem: Reprodução)

As informações foram publicadas pelo CoinDesk nesta quarta-feira (17). O leilão ocorrerá no marketplace de NFTs Mintable, que afirmou estar trabalhando minunciosamente com a família do artista para promover uma série de vendas de seus trabalhos.

Outras obras de Wladimir Baranoff-Rossine serão digitalizadas e autenticadas como NFTs. Para essa série, outros três leilões serão realizados a partir de 25 de março, totalizando seis cópias digitais únicas de artes reais do artista ucraniano.

A iniciativa veio da família de Baranoff-Roussine. O CEO da Mintable, Zach Burks, contou ao CoinDesk que o neto do artista ucraniano o contatou alguns meses atrás buscando uma maneira de “digitalizar o legado da família” através da tecnologia blockchain e tokens não fungíveis.

NFTs adentram mercado de arte tradicional

A venda da obra de Wladimir Baranoff-Rossine não será efetivamente como um NFT. Ou seja, a pintura física será leiloada normalmente acompanhada de sua moldura original, como sempre ocorreu no mercado tradicional de arte. Contudo, o comprador receberá também um token não fungível equivalente à obra, uma prova de autenticidade e posse registrado em blockchain.

Isso abre um precedente muito importante para o futuro do mercado artístico. Até então, NFTs estavam sendo usadas principalmente para registrar e autenticar arte digital, que naturalmente estão sujeitas a cópias, uso indevido, pirataria e outros problemas de direitos autorais.

Contudo, uma obra de arte física ser acompanhada por um registro oficial e imutável como NFT permite que as compras e vendas relacionadas à peça em questão sejam muito mais rastreáveis. Historicamente, muitos trabalhos se perderam entre transações informais e roubos.

Com a tecnologia blockchain e os tokens não fungíveis, um certificado equivalente à obra criaria um livro contábil acessível por qualquer pessoa do mundo para o mercado de arte tradicional.

NFTs já movimentam milhões

Obra NFT de Beeple:

Obra NFT de Beeple: “Everydays: The first 5000 days” (Imagem: Reprodução)

O recente boom dos NFTs criaram uma nova visão sobre a arte como um todo. Na música, a banda Kings of Leon se tornou a primeira a lançar um álbum como token não fungível, com direito a edições limitadas, exclusivas e até mesmo a bilhetes dourados que garantem assentos na primeira fila em shows para toda a vida.

Enquanto isso, artistas digitais começaram a ver um incrível potencial de valorização de suas obras, uma vez que a tecnologia blockchain e os NFTs passam a garantir a autenticidade de um trabalho, concedendo um valor similar a uma peça física, original e única.

O artista digital Beeple, por exemplo, vendeu o NFT mais caro da história. Na última quinta-feira (11), ele leiloou sua obra “Everydays — The First 5000 Days”, que compilou anos de desenhos diários do designer em uma única colagem. A peça foi comprada por US$ 69 milhões e também se tornou o primeiro trabalho completamente digital a ser vendido pela famosa casa de leilões Christie´s em mais de 250 anos de história.

Com informações: CoinDesk