Mineração de criptomoedas agrava apagões e poluição no Irã

A mineração de criptomoedas no Irã afunda ainda mais a crise energética que assola o país. Múltiplas cidades sofrem com apagões enquanto usinas fósseis são forçadas a utilizar combustíveis de baixa qualidade. Como resultado, densas nuvens negras de poluição foram geradas sobre os céus de Teerã e outros municípios. Segundo autoridades do governo iraniano, a situação é agravada pela a atividade crescente e de alto consumo elétrico de mineradores de bitcoin e outros criptoativos.

Mineração de bitcoin (imagem: Consulting 24/Flickr)

Mineração de bitcoin (imagem: Consulting 24/Flickr)

COVID-19 e falta de gás natural geram apagões no Irã

Conforme noticiado pela Bloomberg nesta quarta-feira (13), a poluição atmosférica chegou a níveis perigosos, segundo a Agência de Notícias de Estudantes Iranianos (ISNA). A constante alta no consumo energético no país se originou da pandemia de COVID-19, que força as pessoas a se manterem em casa. Com a chegada do inverno, a população em isolamento social eleva o uso doméstico de gás natural, que é utilizado para aquecer os lares iranianos diante de temperaturas que podem chegar a 0 °C em janeiro.

O conjunto de fatores levou à dramática situação atual de blecautes em diversas cidades no país. Algumas usinas foram fechadas pela escassez de gás. Outros combustíveis também se encontram em declínio de reservas, uma vez que o uso de carros particulares aumentou drasticamente para evitar aglomerações em meios de transporte públicos.

Mineração de criptomoedas cresce e agrava crise

As sanções do governo americano fizeram crescer a atividade de mineração de bitcoin e outras criptomoedas. Como resultado, o país se encontra isolado de instituições financeiras internacionais. Em contrapartida às dificuldades econômicas, o Irã oferece um dos custos de eletricidade mais baixos do mundo, o que incentivou mineradores de criptoativos.

Porém, a mineração consome grandes quantidades de energia para operar potentes máquinas que verificam a legitimidade de transações em redes blockchain e então criam novas unidades de moedas digitais como o bitcoin.

Autoridades do governo iraniano disseram que os atuais blecautes foram agravados pela atividade e começaram a apreender maquinário de operações ilegais no país. Cerca de 6.000 máquinas já foram confiscadas na província de Markazi, conforme revelou o diretor-gerente da Markazi Electricity Supply Co à ISNA.

Com informações: Bloomberg